domingo, 16 de setembro de 2012

"É exatamente essa dissolução total no presente característica dos animais, que contribui bastante para a alegria que nos fazem sentir os nossos animais domésticos: eles são a personificação do presente, e tornam sensível a nós, em alguma medida, o valor de cada instante despreocupado e sereno, enquanto, no mais das vezes, não damos atenção ao presente, ultrapassando-o em pensamento. Porém, essa propriedade dos animais, de se contentar mais do que nós com a simples existência, os fazem vítimas do abuso de pessoas egoístas e más; tais pessoas, muitas vezes, obrigam seus animais a nada mais desfrutar que a simples existência: o pássaro, cuja constituição o permitiria percorrer o mundo, é preso em um espaço exíguo, onde morre cantando em lenta agonia:

l'uccello nella gabbia
Canta non di piacere, ma di rabbia

O mesmo sucede ao cão, o tão inteligente e mais fiel amigo do homem, que vive preso por correntes! Não consigo ver um cachorro preso sem experimentar imensa compaixão por ele e profunda indignação contra seu dono, e lembro-me com satisfação do caso relatado no Times, há alguns anos, em que um lord, dono de um imenso cão, que mantinha sempre acorrentado, certo dia, passeando pelo jardim, tentou acariciá-lo, e como resposta o cão arrancou-lhe o braço - e com toda razão! Com isso certamente queria dizer: "Não és meu dono, mas meu demônio, fazendo um inferno a minha curta existência". Que todos que deixam seus cães acorrentados sofram o mesmo!"

Arthur Schopenhauer, Do Sofrimento do Mundo, §153.

sábado, 15 de setembro de 2012


É meu bem, eu venho tentando
Mas se você deixar tudo assim, pra mim
Não sei se vou aguentar
É meu bem, eu venho lutando
Mas lutar sozinha perdeu a graça
E eu também perdi minhas forças
Quando penso em desistir, tenho dó
De deixar o presente lá atrás
A vida anda tropeçando, eu sei
A dor vem se instalando, eu sei

É meu bem, eu venho tentando
Mas se você deixar tudo assim, pra mim
Não sei se vou aguentar
É meu bem, eu venho lutando
Mas lutar sozinha perdeu a graça
E eu já perdi minhas forças
Talvez o sentimento seja apenas meu
E esses olhos que choram, também sejam os meus
Talvez isso tudo, na verdade, seja nada
Talvez eu seja, mesmo, nada.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Que saudades do desconhecido
Do que não foi vivido
Esteve esse tempo todo escondido

Então não se esconda mais de mim
Porque agora, tenho sede de viver
Consegui, enfim, aceitar
O que passou, passou
Consegui, enfim, aceitar
Coisas boas que vêm pra mim.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Vou procurar alguém
pra retirar do chão
todo o amor em vão
jogado em minhas mãos
que eu desperdicei
nunca mais encontrei

Alguém com tanto zelo
e também tão sincero

E eu nunca aprendi
a aproveitar o amor
que foi entregue pra mim
confiado em mim...

Vou procurar alguém
pra retirar do chão
todo o amor em vão
jogado em minhas mãos
que eu vou desperdiçar
nunca mais encontrar...

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Família, a base da sociedade. Pessoas do mesmo sangue. Laços tão fortes, que a natureza construiu e a lei homologou, fortificou. Laços tão fortes, que perduram por toda a vida, não importa o que aconteça.
Mas nem tudo são flores. A família também abriga discórdia, não só amor; disputas, não só compreensão. Família é também fonte de tristeza, desonestidade, falsidade, trapaças.
É duro enxergar a realidade e perceber que a sua família não é perfeita; que esses laços tão fortes, que se sobrepõem à sua maior vontade, eis que já existiam antes mesmo de seu nascimento, foram subvertidos.
Então você percebe que família nada mais é do que laços biológicos, que a natureza construiu e a lei homologou; laços que perduram por toda a vida, não importa o que aconteça. Dissociados desses laços, há o amor, a compreensão, o companheirismo, os sentimentos mais puros e belos, que vêm de dentro de nós.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Como seria bom se, andando aleatoriamente, surgisse a melodia perfeita..



domingo, 2 de setembro de 2012

Eu estou voltando para o que deixei. Meus discos empoeirados; meu violão desafinado; meus cadernos abandonados.
Os anos foram se passando e meus interesses foram se desprendendo de mim. Tornei-me uma pessoa fria, disciplinada, estudiosa, até admirável.
Mas fui ficando oca, vazia por dentro, e acabei me esquecendo de mim. Quero me resgatar, será que vou conseguir?
Quero ser mais humana. Sentir mais. Viver mais. Tudo de bom que eu conquistei, eu agradeço e procurarei manter. Toda a disciplina, o foco, a facilidade em resolver certos tipos de problemas.
Mas quero resgatar meu eu, quem eu sempre fui e continuo querendo ser quando eu crescer.